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Cultura Arte

Litoral Norte vira ateliê para artistas de diversas partes do Brasil

Projeto de residência artística vai resultar em obras de arte criadas em diálogo com comunidades locais

27/01/2021 23h37 Atualizada há 4 semanas
Por: Redação
Estrada da Laguna junto ao município de Terra de Areia. Foto: Paola Fabres/Divulgação
Estrada da Laguna junto ao município de Terra de Areia. Foto: Paola Fabres/Divulgação

A primeira edição do CASCO – Programa de Integração Arte e Comunidade levará 12 artistas brasileiros para diferentes pontos do litoral norte do Rio Grande do Sul. Viabilizado com recursos da Lei Aldir Blanc (Lei nº 14.017/2020), o projeto pretende aproximar arte de moradores de pequenas comunidades onde não há galerias nem museus. Na primeira semana de fevereiro, artistas, moradores, historiadores e entidades locais farão encontros on-line para debater sobre as características da região. Entre os dias 6 e 7, os artistas participantes começam a se instalar individualmente em 12 distritos nos municípios de Itati, Maquiné, Osório, Terra de Areia e Três Forquilhas.

Durante três semanas, cada um terá a missão de produzir uma obra de arte que converse com as particularidades de cada território, envolvendo as narrativas dos habitantes ou a paisagem do entorno. Em cada distrito, um morador foi contratado para facilitar o elo entre o artista e o local. Ao fim de fevereiro, o projeto de residência artística resultará em 12 trabalhos que serão apresentados em um evento transmitido on-line. Cada artista escolherá o assunto e o formato da sua obra, que poderá assumir qualquer linguagem da arte contemporânea – vídeo, ação performática, produção literária, objetual, processual, instalação, entre outras.

O processo de criação será acompanhado pela equipe de coordenação do projeto formada pelos curadores Paola Mayer Fabres, Luciano Nascimento Figueiredo e Maria Helena Bernardes e pelo historiador Maurício Manjabosco. Toda a experiência será registrada em um minidocumentário e um livro com lançamento previsto para o mês de abril e distribuição na rede de bibliotecas e escolas locais, além das principais instituições artísticas do Estado.

"Do ponto de vista artístico, o projeto CASCO propõe um acesso direto à cultura, sem a mediação de espaços expositivos ou centros culturais. O programa também valoriza parcerias com os pequenos negócios. Por alocar artistas e curadores de maneira descentralizada nos bairros dos municípios citados, buscamos estimular uma rede de economia local, já que hospedagem, alimentação e contratação de representantes comunitários gerarão renda para as próprias localidades", explica a coordenadora do CASCO, Paola Mayer Fabres.

Paola é uma curadora e crítica de arte baseada em São Paulo. É pesquisadora de doutorado da ECA-USP, coordena a residência internacional Comunitaria, na Argentina e é editora-chefe da revista Arte ConTexto.

OS ARTISTAS

Os artistas do CASCO são nomes de destaque no circuito da arte contemporânea e trabalham com diferentes linguagens artísticas. Em comum, possuem carreiras marcadas por trabalhos que envolvem relações comunitárias e territoriais. São eles: Arthur L. do Carmo (Curitiba, PR), Carolina Cordeiro (Belo Horizonte, MG), Charlene Bicalho (João Monlevade, MG), Daniel Escobar (Santo Ângelo, RS), Daniel Caballero (São Paulo, SP), Dirnei Prates (Porto Alegre, RS), Fabiana Faleiros (Pelotas, RS), Lilian Maus (Salvador, BA), Pablo Paniagua (Giruá, RS), Tereza Siewerdt (Rio do Sul, SC), Thiago Guedes (Recife, PE) e Tomaz Klotzel (Pelotas, RS).

OS TERRITÓRIOS

O projeto CASCO abrange 12 distritos de cinco municípios no litoral norte gaúcho. São zonas com menos de 10 mil habitantes que combinam características rurais e urbanas. Chama a atenção a diversidade étnica da região, povoada por açorianos, italianos, quilombolas, alemães e indígenas. Cada artista viverá em um dos seguintes distritos da região: Maquiné, Barra do Ouro e Morro Alto (distritos do município de Maquiné), Itati (distrito-sede de Itati), Aguapés, Borussia, Passinhos, Santa Luzia e Atlântida Sul (distritos de Osório), Terra de Areia e Sanga Funda (distritos de Terra de Areia) e Três Forquilhas (distrito-sede de Três Forquilhas).

INTEGRAÇÃO EM TEMPO DE PANDEMIA

Devido à pandemia de COVID-19, os processos de trabalho do CASCO foram repensados para tornar segura a integração de práticas artísticas e processos comunitários. Encontros presenciais tornaram-se virtuais, articulações sociais foram organizadas em redes digitais e pesquisas in locu serão realizadas individualmente. Também está prevista a aplicação de testagens COVID-19 para a equipe. Eventuais reuniões presenciais ocorrerão apenas em espaços abertos e/ou com distanciamento e uso de máscaras.

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