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Economia Inovação

Capão da Canoa terá parque eólico dentro do mar

Com 200 aerogeradores, complexo ficará distante sete quilômetros da costa

13/10/2020 10h40 Atualizada há 3 semanas
Por: Redação Fonte: Jornal do Comércio
Complexo eólico marítimo Águas Claras (RS). Elaborado pela epbr, a partir da dados enviados ao Ibama
Complexo eólico marítimo Águas Claras (RS). Elaborado pela epbr, a partir da dados enviados ao Ibama

Apontada como a nova fronteira para a energia eólica, a geração offshore (sobre superfície líquida, principalmente nos oceanos) pode representar a atração de empreendimentos bilionários para o Rio Grande do Sul. O projeto gaúcho mais adiantado nesse sentido é o da Força Eólica do Brasil, cujos acionistas são a Neoenergia e a Elektro Renováveis, que já está tramitando no Ibama e está previsto para ser implementado no Litoral, a sete quilômetros da costa de Capão da Canoa. Uma boa notícia para a iniciativa é que o órgão ambiental está avançando na consolidação de um regramento para o licenciamento de complexos dessa natureza, que ainda são inéditos no Brasil.

A superintendente do Ibama, Cláudia Pereira da Costa, informa que está sendo elaborado um Termo de Referência (documento que serve para orientar os empreendedores de um determinado setor) quanto à geração eólica offshore, que deverá ser concluído ainda neste mês. Segundo ela, o projeto no Estado, chamado Complexo Eólico Marítimo Águas Claras, aguarda a finalização do Termo de Referência para prosseguir com o Estudo de Impacto Ambiental (EIA).

A previsão é que o empreendimento tenha 200 geradores de 15 MW cada um, totalizando 3 mil MW de capacidade instalada (o que corresponde a cerca de 75% da demanda média de energia do Rio Grande do Sul). Agentes do setor eólico estimam em R$ 25 bilhões a R$ 30 bilhões o investimento necessário para erguer uma estrutura como essa. Após sua implantação, será o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul - título hoje detido pela CMPC, que aplicou R$ 5 bilhões na ampliação da fábrica de Guaíba há alguns anos.

Cláudia frisa que parques eólicos offshore podem aproveitar ventos mais constantes e velozes, pois não enfrentam barreiras naturais como os instalados em terra firme. Atualmente, são sete projetos dessa espécie com processos de licenciamento no Ibama. Além do complexo gaúcho, há ações sendo desenvolvidas nas costas do Ceará, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

A superintendente do Ibama participou na sexta-feira (9) da webinar Energias renováveis: avanços e perspectivas, promovida pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (Sema). Outra participante do evento, a presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Gannoum, chamou a atenção para a importância de olhar para as energias renováveis pensando em uma recuperação econômica depois da pandemia do coronavírus.

De acordo com Elbia, no ano passado foram investidos US$ 3,45 bilhões em novos projetos eólicos no Brasil. "Até onde se sabe, temos o melhor vento do mundo para a geração eólica e temos que valorizar esse patrimônio", defende a dirigente. A presidente da ABEEólica informa que o Brasil tem uma capacidade eólica hoje de 16,89 mil MW, e o Rio Grande do Sul está na quinta colocação no ranking dos estados, com 1.836 MW.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), Guilherme Sari, acrescenta que, no momento, há em torno de 10 mil MW em novos projetos eólicos em alguma fase de licenciamento ambiental no Estado. Além do potencial offshore no mar para a produção de energia a partir dos ventos, Sari enfatiza as boas oportunidades apresentadas nas lagoas gaúchas, como a dos Patos, Mirim e Mangueira. Entre as vantagens da instalação de aerogeradores nessas áreas ao invés do oceano, o dirigente cita uma menor profundidade, custos mais acessíveis e proximidade com o sistema de linhas de transmissão.

Jornal do Comércio 

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